jan 09

Jovens reinventam as regras da filantropia na internet


Concursos de blogs, recompensas para doadores, contatos diretos com os beneficiários: a geração de 20 a 30 anos aproveita o poder da internet para reescrever, à própria maneira, as regras da filantropia.

“É a primeira vez na minha vida que me envolvo em uma obra de caridade”, diz Casey Gruby, 30, advogada de Boston que se tornou doadora ao “navegar” no site de relacionamento MySpace em 2007.

“Tinha a impressão que teria que ser Bill Gates ou Warren Buffet para ser um doador. Mas agora, cheguei à conclusão que se pode ser um ‘Bill Gates normal’. Bastam 10 dólares, 100 dólares ou 1.000 dólares, para ajudar uma escola na África e comprovar os resultados do investimento”, completou.

Blogs e fóruns de discussão são empregados para apoiar os projetos de professores, patrocinar os estudos de uma criança ou lutar contra a pobreza.

“Com as organizações tradicionais, doa-se dinheiro sem saber para onde vai, enquanto aqui nós vemos como é empregado. Posso eleger alguém ou um projeto, acompanhar seu avanço e ver se tem resultado”, explicou Jerry McCrae, de 27 anos, que contribuiu para a compra do material escolar em uma escola de Nova Orleans.


Redes sociais

O site Kiva.org, que agrupa mais de 90.000 doadores e já arrecadou mais de US$ 19 milhões, propõe aos internautas uma fórmula de microfinanciamento. O doador é contactado com o eventual beneficiário em um país em desenvolvimento e pode, se o desejar, visitá-lo.

“Como não ajudar a pessoas que lutam para alimentar suas famílias?”, escreveu Bernadette William, que vive em Hong Kong e acaba de regressar da província de Kampong Cham no Camboja, onde observou a evolução da loja de Suos Sam Oeun, mãe de uma criança, a quem concedeu um auxílio de US$ 1 mil.

Conscientes do êxito das ONGs virtuais, que seduzem dezenas de milhares de jovens internautas, os sites de relacionamento como Facebook e MySpace associam-se a elas para lançar novos instrumentos de arrecadação.

Já os membros do Sixdegrees.org são convidados a criar um “broche de caridade” com sua causa favorita e enviá-lo a seus amigos. Este símbolo contabiliza a soma arrecadada e a quantidade de doadores. Lançado em janeiro de 2007, já arrecadaram-se US$ 740 mil.

“Isto permitiu que me interessasse pelo mundo que me rodeia”, indicou Lucille, 25, que vive em Idaho.

Frente a esta competência que as ameaça, ONGs tradicionais são obrigadas a adaptar-se. Assim, o Exército da Salvação acaba de montar uma página em vários sites de relacionamento com a esperança de “abrir-se” a esta nova geração.

Fonte: Folha Online

 


Escrito por Airton

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