fev 05

Piada – O telegrama de Juvenal


O Juvenal tava  desempregado há meses.

Com a resistência que só os brasileiros têm o Juvenal  foi tentar mais um  emprego em mais uma entrevista.

Ao chegar ao escritório, o entrevistador observou que o candidato tinha exatamente o perfil desejado, as virtudes ideais e lhe perguntou:

– Qual foi seu último  salário?

– ‘Salário mínimo’,  respondeu Juvenal.

– Pois se o Senhor for contratado, ganhará 10 mil dólares por mês!

– Jura?

– Que carro o Senhor  tem?

– Na verdade, agora eu só  tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de  mão!

– Pois se o senhor  trabalhar conosco ganhará um Audi para você e uma BMW para sua esposa!  Tudo zero!

– Jura?

– O senhor viaja muito  para o exterior?

– O mais longe que fui  foi pra Belo Horizonte, visitar  uns parentes…

– Pois se o senhor  trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano, para Londres, Paris,  Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.

– Jura?

– E lhe digo mais… O  emprego é quase seu. Só não lhe confirmo agora porque tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente garantido.

Se até amanhã  (6ª feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama  nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira com todas essas regalias que eu citei. Então já sabe: se NÃO receber telegrama cancelando até à meia-noite de amanhã, o emprego é seu!

Juvenal saiu do  escritório radiante. Agora era só esperar até a meia-noite da 6ª feira  e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama.

Sexta-feira mais feliz não poderia haver. E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas.

Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa à base de muita música. Sexta de tarde já tinha um barril de chope aberto. Às 9 horas da noite a festa  fervia. A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta. Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita,  achava tudo um exagero.

A vizinha gostosa,  interesseira, já se jogava pro lado do Juvenal.

E a banda  tocava!

E o chope gelado  rolava!

O povo  dançava!

Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro.

Gastara horrores para o  bairro encher a pança. Tudo por conta do primeiro salário. E a mulher  resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada.

Às onze horas e cinqüenta e cinco minutos… Vira na esquina buzinando feito louco, um cara numa motoca amarela…

Era do  Correio!

A festa  parou!

A banda  calou!

A tuba  engasgou!

Um bêbado  arrotou!

Uma velha  peidou!

Um cachorro  uivou!

Meu Deus, e agora? Quem  pagaria a conta da festa?

– Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.

– Joguem água na  churrasqueira!

O chope  esquentou!

A mulher do Juvenal  desmaiou!

A motoca  parou! O cara desceu e se dirigiu ao Juvenal:

– Senhor Juvenal Batista  Romano Barbieri?

– Si, si, sim, so, so,  sou eu…

A multidão não  resistiu…

OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!

E o cara da motoca:

– Telegrama para o  senhor…

Juvenal não acreditava…

Pegou o telegrama, com os  olhos cheios d’água, ergueu a cabeça e olhou para todos. Silêncio total. Não se ouvia sequer uma mosca!

Juvenal respirou fundo e abriu o envelope do telegrama tremendo, enquanto uma lágrima rolava,  molhando o telegrama.

Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.

Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler.

O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava:

E  agora? Quem vai pagar essa festa  toda?

Juvenal recomeçou a ler,  levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava…

Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico.

– Mamãe morreeeeuuu!  Mamãe morreeeeuuu!!!!!!!


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Escrito por Airton

Um Comentario para “Piada – O telegrama de Juvenal”

  1. Andre L. Soares Escreveu:

    Excelente. Cara,… esse blog é viciante. Tem de tudo: de boas piadas a matérias carnavalescas, passando por dicas de informática e downloads. Vou estar sempre por aqui. Um abraço!

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