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O candidato do PT, Tarso Genro, foi eleito para o governo do Rio Grande do Sul no primeiro turno. Com 99,9% dos votos apurados, o petista tinha 54,4% dos votos válidos e não já podia ser mais alcançado pelos demais candidatos. O candidato do PMDB, José Fogaça, tinha 24,7% dos votos.

Com a eleição de Tarso Genro, ex-ministro da Justiça de Lula, o PT volta ao poder no Rio Grande do Sul depois de oito anos, quando os petistas perderam as últimas eleições para o ex-governador Germano Rigotto e a atual governadora Yeda Crusius (PSDB). Yeda Crusius, candidata à reeleição, contabilizava 18,4% dos votos.

Pela primeira vez em sua história, o PT gaúcho vence uma eleição estadual no primeiro turno, observado de longe pelo PMDB e pelo PSDB. Em duas eleições seguidas, em 2002 e 2006, o PT perdeu o governo do Estado e a prefeitura de Porto Alegre, respectivamente, depois de um mandato à frente do Piratini e 16 anos no comando da capital gaúcha.

Marcada por divisões radicais e irreparáveis entre maragatos e chimangos, gremistas e colorados e, mais recentemente, petistas e peemedebistas, a história do Rio Grande do Sul pós-ditadura militar nunca vira uma eleição para o governo gaúcho terminar no primeiro turno. Tarso Genro, assim, entra na história não apenas como governador, mas como o primeiro governador eleito em primeiro turno no Estado.

Partido que sempre teve uma das grandes forças de sua militância no Rio Grande do Sul, ao conservar a tradição da presença nas ruas e, nestas bases partidárias, um ideário mais à esquerda em relação à direção nacional, o PT gaúcho é objeto de amores e ódios.

Nas eleições de 2006 para o Piratini, a ojeriza de muitos gaúchos ao PT foi um dos fatores que levaram a tucana Yeda Crusius à vitória. Com o candidato do PMDB, Germano Rigotto, bem à frente nas pesquisas, peemedebistas votaram em massa, e até fizeram campanha para Yeda, tentando impedir o petista Olívio Dutra de ir para o segundo turno. A mobilização em torno da ideia foi tanta que passou do ponto, e Rigotto ficou de fora. No segundo turno, com PMDB e PSDB juntos, Olívio e o PT perderam.Militância de volta às ruas

O que analistas costumam dizer é que o PT tem cerca de 30% de eleitores fiéis, e precisa conquistar os outros 20% para vencer cada eleição ao Piratini. Nas últimas três disputas o PT foi ao segundo turno, mas não conseguiu chegar a 50% dos votos totais. Quando se elegeu, com Olívio em 1998, fez 49,49%.

Agora Tarso mudou essa história, alcançando a maioria já no primeiro turno, com uma campanha que, depois de anos de esvaziamento, trouxe a militância petista de volta às ruas, além de ter entrado com força na internet. O Twitter, por exemplo, foi nessa campanha uma arma do candidato, que viu seus apoiadores fortemente mobilizados para manter seu nome sempre em destaque.

Tarso embarcou também na onda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez Dilma Rousseff crescer vertiginosamente durante a campanha, conforme colava sua imagem à do presidente. O mesmo aconteceu com o novo governador gaúcho, que, falando constantemente em trazer ao Rio Grande do Sul o projeto de Lula para o país, subiu muito nas pesquisas divulgadas durante a campanha.

Com pouco espaço para a estrela vermelha do PT, mas com muito espaço para a principal estrela do partido, a vitória no primeiro turno faz com que o projeto de Lula para o Brasil chegue ao Estado com forte respaldo popular.



Escrito por Airton \\ tags: , , , , , , ,